"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sábado, 20 de janeiro de 2018

ENTENDA A ORIGEM DO NOME DAS OPERAÇÕES MILITARES

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Batizar operações militares serve para melhorar o moral das tropas e tem efeito de propaganda, mas por vezes falta inspiração aos autores, como se vê neste título

Por José Francisco Botelho


Em 19 de março de 2011, navios e submarinos americanos cruzaram o mar Mediterrâneo rumo ao litoral da Líbia. Pela primeira vez em mais de uma década, o Exército dos EUA participava de uma ação militar apoiada pela maior parte da população árabe. O objetivo era destruir as forças do ditador Muamar Kadafi, há 40 anos no poder. O regime, sacudido por uma rebelião interna, reagiu com o massacre de civis. A intervenção militar tinha aval da ONU e contava com a adesão de países como a França e o Reino Unido. Apesar da seriedade da situação, risinhos irônicos se espalharam pelo mundo, enquanto os mísseis americanos Tomahawk choviam sobre as Forças Armadas líbias. Por que tanta graça em uma hora tão grave? O motivo era o nome da operação americana: Odissey Dawn, que em português quer dizer "Aurora da Odisseia". A esdrúxula combinação de palavras, com suas vagas e malsucedidas intenções poéticas, foi um prato cheio para humoristas como Jon Stewart: "Isso mais parece título de algum álbum do Yes". (A banda de rock progressivo tem em seu currículo pérolas como Contos dos Oceanos Topográficos e Chaves da Ascensão 1 e 2.)

O ditador foi derrubado, mas é improvável que a Aurora da Odisseia continue despertando, daqui a meio século, sentimentos solenes como os que envolvem a Operação Overlord - codinome para a invasão aliada nas costas da Normandia, o dia D da 2ª Guerra. O contraste entre a força de alguns codinomes e a - digamos - esquisitice de outros levou muita gente a se perguntar: afinal de contas, quem escolhe o nome dessas operações militares e de que forma se dá o "batismo"? Ironias à parte, essa questão aponta para um interessante - e pouco conhecido - capítulo na história militar. 

Dar nomes a operações é um hábito com várias funções - entre elas, levantar o moral dos soldados e fazer boa propaganda. "É natural que os soldados sintam-se mais motivados por participar em uma operação denominada Tempestade no Deserto do que Colinho da Mamãe", diz Cesar Machado Domingues, historiador e editor da Revista Brasileira de História Militar. "Da mesma forma, algumas expressões bem escolhidas podem influenciar favoravelmente a opinião pública." Mas também operações que fracassaram por causa de nomes mal bolados, como você vai ver a seguir.


Letras, números e santos

Lá nos primórdios da humanidade, fazer guerra era relativamente simples. Bastava juntar um bando de correligionários, reunir algumas lanças e correr para o terreno do vizinho. Com o tempo, as coisas se complicaram. Os exércitos se dividiram em cavalaria, infantaria, artilharia etc. Navios - e, bem mais tarde, aviões - foram acrescentados à equação. Os exércitos passaram de algumas centenas a centenas de milhares de soldados. Em meados do século 19, a arte da guerra estava tão cheia de variáveis que foi preciso dar nomes específicos a cada movimentação de tropas. "Nome", no caso, é hipérbole: na época, as operações eram batizadas com letras ou números, como Diretiva 1 e Plano de Operações Y.

Foi a partir da 1ª Guerra que as operações ganharam nomes. Os pioneiros foram os alemães. "Atribuir um nome em código tinha dois objetivos: aumentar a segurança e facilitar o planejamento", afirma o historiador Carlos Daróz, da Universidade do Sul de Santa Catarina. Os codinomes escondiam o verdadeiro objetivo de um plano: em vez de escrever em seus documentos "projetos para a invasão da França na primavera de 1918", os oficiais alemães tascavam uma referência religiosa - São Jorge e São Miguel são dois exemplos pioneiros. "Isso deixaria os inimigos na dúvida caso documentos secretos fossem capturados", explica Daróz. Já naquela época o pessoal se preocupava com o lado marqueteiro da coisa. A Alemanha estava perdendo, e a alusão a seres semidivinos era uma tentativa de dar ânimo aos soldados.

Na 2ª Guerra, dois dos principais protagonistas do conflito, Winston Churchill e Adolf Hitler, tinham obsessão por batizar ações de guerra, de preferência com nomes grandiosos e inesquecíveis. O primeiro-ministro britânico escreveu um manual sobre o assunto. Para Churchill, um bom nome deveria evitar palavras banais, mas sem transparecer excesso de confiança. "Afinal de contas, o mundo é amplo, e o raciocínio inteligente proverá um número ilimitado de nomes sonoros, que nada revelem sobre o caráter da operação, mas que tampouco levem alguém a dizer, algum dia, que seu pobre filho morreu na operação Joaninha ou Peixinho Dourado", escreveu Churchill (que mesmo em documentos não perdia a verve de humorista diletante).


Pecando pelo excesso

Foi Churchill quem transmitiu o entusiasmo pelo tema aos americanos. Em 1943, o Alto Comando dos EUA planejou um bombardeio aos campos de petróleo da Romênia. A ação foi batizada de Espuma de Sabão. Horrorizado com a falta de elegância, Churchill convenceu os aliados a trocar o codinome para Onda Sísmica. Ninguém sabe ao certo quem escolheu o nome da principal operação aliada no Front Ocidental - mas é bem provável que o primeiro-ministro britânico tenha dado pitacos no batismo da Overlord (Senhor Supremo). Nesse caso, o conselho sobre evitar o excesso de confiança foi deixado de lado. Tudo bem, pois a operação foi um sucesso e os aliados venceram.

Hitler foi bem menos feliz em suas escolhas. Aos nomes das operações nazistas, não faltava grandiosidade, mas discrição. Veja o caso do megalomaníaco plano de invasão da União Soviética em 1941, a Operação Barbarossa - referência a Frederico Barbarossa, monarca do século 12 que expandiu o domínio germânico para terras ao leste da Alemanha. O nome era certamente inspirador - mas poderia ter revelado as intenções da Alemanha se caísse em mãos soviéticas. "Não se sabe por que motivo os alemães deram uma indicação tão clara de que seu plano era invadir a URSS", diz Daróz, da Unisul. Hitler deu sorte, pois o nome não vazou (embora a Barbarossa tenha fracassado de qualquer jeito). Com a Operação Leão Marinho, de 1941, foi diferente. Hitler decidiu invadir a Inglaterra por mar e ocupar o país. A ideia era desembarcar 70 mil soldados por meio de veículos anfíbios. Mas o serviço de inteligência britânico interceptou uma mensagem cifrada de rádio que falava no tal "Leão Marinho" - e os oficiais logo sacaram que a ideia de Hitler era atravessar o canal da Mancha.

Após a 2ª Guerra, na Guerra Fria e até os dias de hoje, foram os americanos que mais batizaram operações. Mas todo Exército gosta de dar nome a suas ações. Os franceses, por exemplo, escolhem expressões sonoras e evocativas. Se os americanos foram à Líbia de Aurora da Odisseia, as forças francesas chamaram sua expedição de Harmattan - referência ao vento quente e seco que sopra sobre o Saara em março. Bem, digam o que quiserem sobre os franceses, mas ninguém pode negar que os caras sabem escolher um nome.

Fonte: Aventuras na História

PENSAMENTO MILITAR - MANOBRA



"Pense sempre em cruzar o riacho; e cruzá-lo no ponto mais propício. Cruzar o riacho significa atacar o ponto vulnerável do adversário e colocar-se em posição vantajosa."

 
Miyamoto Musashi, samurai japonês

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

XVIII ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ANPUH-RJ - SIMPÓSIO DE HISTÓRIA MILITAR

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Começando as atividades de pesquisa em História Militar no ano de 2018, ocorrerá, entre 23 e 27 de julho, o XVIII Encontro da ANPUH-RJ.

No campo da História Militar, teremos o Simpósio Temático 47 - MILITARES, PODER E SOCIEDADE: MÉTODOS DE HISTÓRIA E PARCERIAS, coordenado pelo Prof. Dr. Fernando Rodrigues.

A História Social dos Militares vem surgindo, nos últimos anos, revigorada com novos olhares e perspectivas. A velha visão de uma história-batalha enaltecedora de heróis simplesmente desapareceu. A Nova História que envolve a pesquisa sobre os militares vem crescendo com diferentes percepções e abordagens. Este Simpósio tem por objetivo investigar temas convergentes entre a história militar e a sua relação com a sociedade e com a política. Geralmente, a cultura da memória vem desempenhando um papel essencial para a continuidade do debate sobre a construção e desenvolvimento de uma sociedade. As Instituições militares e seus atores também contribuíram para a construção dessa história. Nesse contexto o objetivo do Simpósio Temático é mostrar as possíveis parcerias entre investigadores da área, além de discutir temas como fontes e metodologias de pesquisa em arquivos militares, a história do ensino militar como base da formação profissional, as crises políticas que envolveram esses atores, os conflitos internos institucionais, a historiografia, a memória, suas relações com a geopolítica, inovações militares no campo das novas tecnologias, produção de mídias, o recrutamento, os tipos de guerras, as intervenções políticas, entre tantas outras possibilidades de pesquisa.

Vamos inscrever as nossas pesquisas e fortalecer o campo da História Militar. As inscrições já estão abertas.

http://www.encontro2018.rj.anpuh.org/

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

BATALHA DE SALAMINA DECIDIU DESTINO DA EUROPA EM 480 a.C.

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Na batalha naval de Salamina, em outubro de 480 a.C., a frota grega venceu a armada persa. A vitória sobre os persas criou as bases para o florescimento da Grécia e da Europa.


Por Matthias von Hellfeld


Avanço persa

Mas os persas não se deram por vencidos e armaram a maior força de combate da Antiguidade. Para um transporte mais rápido das tropas, o rei Xerxes I (519 a.C.–465 a.C.) construiu um canal através da península de Atos, uma ponte sobre o Helesponto (hoje, Estreito de Dardanelos) e outra sobre o rio Estrímon.

Tamanhos esforços por parte de Xerxes I não passaram despercebidos pelos gregos. Os investimentos e a dimensão do contingente persa deixavam claro que o rei tinha em mente uma guerra de conquista, primeiramente contra a Grécia e então contra o Sudeste Europeu – para qualquer outro objetivo, o tamanho de seu Exército estaria superdimensionado.

Ao consultar o oráculo de Delfos, Temístocles escutara a profecia: "Protejam-se com uma muralha de madeira", ou seja, os gregos deveriam procurar o combate naval e proteger-se atrás do muro de madeira que representava sua esquadra. Após alguma resistência na Eclésia, a assembleia pública da democracia ateniense, foi aprovada a construção de novos navios de guerra.

Um pouco mais tarde, em 480 a.C, ficou demonstrado quão certo Temístocles estava em seu prognóstico de que a tropa persa seria invencível num campo de batalha. No desfiladeiro das Termópilas, um contingente grego não pôde conter o avanço persa por mais do que alguns dias, sendo então forçado a bater em retirada.

Xerxes I marchou sobre Atenas, depredando-a sem encontrar resistência, pois os atenienses aptos ao combate haviam se retirado para a frota de guerra. A visão da cidade devastada deu aos gregos a certeza de que essa era sua última chance: uma derrota no combate naval significaria o fim da Grécia livre.



Para combater os persas, a frota grega se posicionou no estreito braço de mar a oeste da ilha de Salamina. Após 12 horas de batalha, os gregos saíram vencedores. Provavelmente, o fato de os navios gregos serem menores e mais facilmente manobráveis foi decisivo para derrotar a esquadra de Xerxes I. Com a vitória grega foi sustada a ameaça de escravidão na Pérsia, como também o avanço persa na Europa.


Europa contra Ásia

A resistência grega contra os persas representou um marco da história europeia. No caso de uma derrota, não haveria mais barreiras para as tropas persas. Elas teriam ampliado o império persa para a Europa continental.

Nesse caso, tanto a cultura grega quanto o império romano teriam sido soterrados. A partir da Antiguidade greco-romana nasceu a Europa moderna. Caso os persas tivessem vencido a Batalha de Salamina, em outubro de 480 a.C., ela possivelmente se chamaria hoje "Ásia Ocidental" – com população de maioria muçulmana.

Heródoto (490 a.C.–425 a.C.), um dos principais historiadores da Grécia Antiga, deu um suporte ideológico à guerra contra os persas. Para ele, tratou-se de uma "guerra de sistemas". De um lado, estava a Europa da "liberdade e democracia" – afinal de contas foi fundada nessa época a democracia ática, considerada até hoje o berço da Europa democrática. No lado persa-asiático, Heródoto localizou o "despotismo", o sistema da tirania. Dessa forma, o historiador grego dividiu o mundo até então conhecido num par de opostos: Ásia contra Europa e "liberdade contra servidão".


Fonte: DW



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

AS RAZÕES DO FRACASSO DA AVIAÇÃO SOVIÉTICA EM 1941

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União Soviética perdeu 70% de seus aviões nos primeiros seis meses de guerra.

Por Alexandr Verchínin


Durante os combates recentes na Síria, a aviação militar russa demonstrou que, com exceção dos Estados Unidos, a Rússia é o único país do mundo cuja Força Aérea é capaz de projetar o seu poderio muito além das fronteiras nacionais. No entanto, nem sempre ela foi tão bem sucedida. A conscientização sobre a importância da aviação militar ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial.

Este foi o momento do surgimento da aviação militar russa e, ao mesmo tempo, o período mais difícil de sua história. Em 1941, a Força Aérea soviética sofreu uma derrota arrasadora. Ao longo dos seis primeiros meses da participação da URSS na guerra, ela perdeu quase 70% de seus aviões de combate. Em 22 de junho de 1941, dia da invasão da União Soviética pela Alemanha nazista, as perdas chegaram a 1.200 aeronaves, mais da metade das quais nem teve tempo de decolar.

No mesmo período, os alemães também sofreram sérios danos, perdendo quase 4.000 aviões, o que excedeu em muito as perdas somadas de todas as campanhas anteriores da Wehrmacht, o exército nazista. Apesar disso, as perdas sofridas em 22 de junho provocaram um efeito de choque nos generais soviéticos. Depois de ter sobrevoado os aeroportos sob sua responsabilidade, o comandante da aviação do Distrito Militar Bielorrusso entrou em desespero e se suicidou.

Bombardeio alemão sobre cidades soviéticas em junho de 1941

A Força Aérea alemã era considerada a melhor do mundo. Devido às suas excelentes qualidades de combate, já no início do inverno de 1941 os alemães acabaram com a superioridade numérica da aviação do Exército Vermelho, conseguindo igualar o número de aeronaves em combate com a União Soviética. Isso, somado à maior qualidade da Luftwaffe, colocou-os no caminho da conquista da supremacia no ar. 

Estações de rastreamento que operavam impecavelmente conduziam os pilotos alemães aos seus alvos, o que nivelava até mesmo a superioridade tática da aviação soviética em alguns setores da frente de batalha.  Em toda a parte, os pilotos do Exército Vermelho demonstravam heroísmo, muitas vezes se chocando contra os aviões inimigos, mas nada disso era suficiente para reverter a situação geral.


Razões da derrota

A frota de aviões do Exército Vermelho era extremamente heterogênea. Nela se encontravam tanto aviões novos, como o Ilyushin Il-2, o "tanque voador", como equipamentos obsoletos, sendo que o número de aeronaves velhas era três vezes maior. No entanto, mesmo os modelos modernos possuíam deficiências significativas: a qualidade dos motores dos aviões soviéticos deixava muito a desejar, e as aeronaves não tinham uma comunicação via rádio de boa qualidade. 

Montagem da aeronave de ataque ao solo​ Ilyushin Il-2 durante a 2ª Guerra

A blindagem dos caças soviéticos era tão vulnerável que era perfurada até mesmo pelas fracas metralhadoras que faziam parte do armamento dos bombardeiros alemães.

O processo de treinamento dos pilotos era apressado e eles mal tinham tempo de assimilar as novas tecnologias. Às vésperas da guerra, as escolas de aviação soviéticas operavam em regime de superação de metas, formando milhares de novos pilotos. A quantidade de formaturas era tal que as autoridades deixaram de atribuir o grau de oficial aos formandos, para não inflar os quadros de pessoal. Nem todos os jovens pilotos eram profissionais. Isso já havia ficado claro durante a Guerra Soviético-Finlandesa (1939-1940), quando a pequena Força Aérea finlandesa trouxe sérios problemas para a força soviética, que apresentava uma esmagadora superioridade numérica.


Males herdados 

No entanto, a questão de como a tragédia do ano de 1941 pôde acontecer com a Força Aérea soviética é mais complicada. É preciso levar em conta que a criação de uma Força Aérea a pleno valor na URSS começou apenas 10 anos antes da guerra. Muitas vezes, as fábricas de produção de aeronaves eram construídas em campo aberto, sem possuírem material suficiente, nem o número necessário de engenheiros e trabalhadores qualificados. 
Além disso, em termos técnicos, a aviação é um dos tipos mais complexos de armamento moderno. Sua criação requer o desenvolvimento da indústria química eletrônica e metalúrgica. Na União Soviética, tudo isso também estava sendo criado de forma apressada.

Os designers, em grande parte, estavam aprendendo pelo método de tentativa e erro. As deficiências dos motores das aeronaves restringiam sua liberdade de ação e as tentativas de solucionar os problemas dentro de um curto período de tempo resultavam em graves consequências. A composição do comando era um problema sério, e a repressão de Stálin agravou o problema.

A formação e a experiência de combate dos pilotos soviéticos não se encontravam em um nível suficientemente elevado. Somente poucos anos antes da guerra, eles obtiveram experiência em condições de combate na Espanha. A correção dos erros cometidos antes da guerra foi acontecendo à medida que a Força Aérea soviética erradicava os males herdados.

Fonte: Gazeta Russa


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - A COLUNA DE VENDÔME

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Em nossas andanças por Paris, sempre de bike, visitamos a linda Place de Vendôme, na qual está a Coluna de Vendôme, símbolo da glória de Napoleão.

A Coluna de Vendôme, ou Coluna de Austerlitz, é um monumento situado na Praça de Vendôme, no 1.º arrondissement de Paris.  Foi erigida por ordem de Napoleão Bonaparte em 1806 para celebrar a sua vitória na batalha de Austerlitz, com uma estátua de si mesmo em traje de imperador romano na parte superior da dita coluna, que deveria chamar-se "Colonne de la Grande Armée" em homenagem aos seus soldados. O acesso à praça dá-se a partir das estações de metrô de Madeleine, Tuileries e Opéra.


O Monumento

Construída em pedra, a coluna é envelopada até à parte superior numa fita contínua de placas de bronze com baixos-relevos, que representam cenas da campanha austríaca. O bronze teria sido adquirido da fundição dos mil e duzentos canhões capturados em Austerlitz. A Coluna de Vendôme, nome pelo qual ficou sempre conhecida, foi inspirada no modelo da coluna de Trajano de Roma, mas um terço mais alta do que a romana, com 44,3 metros de altura e 3,60 metros de diâmetro. 

Está coroada por uma estátua de Napoleão I vestido de general romano, esculpida por Auguste Dumont, cujo sobrinho, Napoleão III, mandou construir. O seu fuste, com 98 tambores de pedra, está forrado com uma folha de bronze que teria saído da fundição dos supostos mil de duzentos canhões tomados pelos franceses aos inimigos russos e austríacos na Batalha de Austerlitz. 

Estátua de Napoleão, no topo da coluna, trajado como imperador romano.

A coluna é ornamentada com molduras helicoidais finas ao longo de 280 metros que envolvem o fuste no qual foram utilizadas 450 placas de bronze, com baixos-relevos que a compõem representando cenários de guerra da campanha austríaca. Diversos artistas participaram no seu desenho e decoração. Entre os mais significativos figuram: Jean-Joseph Foucou, autor de seis baixos-relevos, Louis Boizot, Bosio, Lorenzo Bartolini, Claude Ramey, Corbet e Ruxthiel.

Relevos helicoidais retratando as fases da Batalha de Austerlitz

A base da coluna de Vendôme foi construída em granito pórfiro de Córsega (Algajola), na qual está grafada a seguinte inscrição:

“NEAPOLIO IMP AVGMONVMENTVM BELLI GERMANICI ANNO MDCCCV TRIMESTRI SPATIO DVCTV SVO PROFLIGATI EX AERE CAPTO GLORIAE EXERCITVS MAXIMI DICAVIT"


História

A praça de Vendôme, requerida por Luís XIV e projetada por Jules Hardouin Mansart, possuía no centro uma estátua equestre do Rei Sol. A praça fora denominada Praça Luís, o Grande, mas, em 1792, os revolucionários destruíram a estátua, símbolo do poder real.

Em 1800, um decreto determinou a construção de uma coluna, no centro de cada departamento, e dedicada aos bravos homens de cada um deles. Em Paris, a 20 de março, Bonaparte, Primeiro Cônsul, decidiu construir uma coluna nacional na Praça da Concórdia, dedicada à Nação e uma coluna departamental na Praça de Vendôme.  A coluna nacional nunca fora construída, e na então projetada Place des Piques (ou Vendôme), apenas em 14 de julho de 1800 é que foi colocada a primeira pedra por Luciano Bonaparte, irmão de Napoleão e ministro do Interior, mas não foi concluída a sua construção. A ideia foi restabelecida em 1803 pelo Primeiro Cônsul, que confirmou a construção de uma coluna na praça Vendôme como aquela erigida em Roma, em honra de Trajano, ornamentada com 108 símbolos dos departamentos dispostos em espiral e encimada por uma estátua de Carlos Magno. 

A Coluna de Vendôme faz referência à vitória francesa em Austerlitz

A princípio dedicada à glória do povo francês, em breve a coluna tornar-se-ia a glória de Napoleão. Mas a construção foi demorada e estendeu-se até 1805, tendo em conta a fundição dos 1200 canhões capturados dos inimigos austríacos e russos (num total de 180 toneladas) para que o projeto, relançado por Vivant Denon, procedesse. A coluna foi concluída em 1810 em homenagem aos vitoriosos soldados franceses, e denominada coluna do Grande Armée. Uma estátua de Napoleão Bonaparte em traje de imperador romano foi acrescentada na parte superior da coluna, esculpida por Antoine-Denis Chaudet.

Em 1814 a estátua foi tomada pelas tropas aliadas que ocuparam Paris e substituída por uma bandeira branca, decorada com lírios, durante a Restauração. Em 1818, a estátua foi fundida e o bronze foi utilizado para a criação da estátua equestre de Henrique IV na Pont Neuf.

Durante a Monarquia de Julho, uma nova estátua do imperador, apelidado de "o Pequeno Cabo", obra de Charles Émile Seurre, (o atual Invalides), foi colocada no topo da coluna, no dia 21 de junho de 1833, na presença de Luís Filipe I, preocupado em restaurar um pouca da glória do Império. A estátua media 3,50 metros de altura. 


O editor do Blog junto à Coluna de Vendôme

Napoleão III ponderou sobre o perigo em que a estátua incorria na parte superior da coluna, tendo portanto, sido removida e substituída por uma cópia da primeira estátua nas vestes de imperador romano de Chaudet, realizada pelo escultor Auguste Dumont. A única diferença residiria no facto de a estátua de Chaudet representar o imperador segurando com a mão esquerda o globo da vitória e a sua espada na mão direita, enquanto que a estátua de Dumont representa Napoleão segurando com a sua mão esquerda a espada e o globo da vitória na sua mão direita.

O episódio mais marcante ocorreu na época da insurreição da Comuna de Paris. O pintor Gustave Courbet que, após a Guerra Franco-Prussiana, na sequência de uma petição ao governo da Defesa Nacional em 14 de setembro de 1870, pediu a demolição da coluna, ou que deseja tomar a iniciativa, encarregando a administração do Museu de Artilharia, e fazendo transportar o material para o Hôtel des Monnaies. Sua intenção era reconstruir o Invalides. Porém a insurreição da Comuna de Paris ganhou força e outros propósitos. 

A coluna derrubada durante a Comuna de Paris

De acordo com o historiador Betrand Tilier, "a comuna de Paris considerou que a Coluna de Vendôme era um monumento bárbaro, símbolo da força bruta e da falsa glória, uma afirmação do militarismo, a negação do direito internacional, um permanente insulto dos vencedores aos vencidos, um perpétuo ataque a um dos três grandes princípios da República Francesa, a fraternidade, e decretaria: A coluna de Vendôme seria demolida".

Courbet, arrastado pela tempestade não pôde reverter a decisão e, um pouco contra a sua vontade, tornou-se historicamente responsável pela destruição da coluna. A 16 de maio de 1871, a coluna foi demolida frente de uma multidão. Após a queda da Comuna, as placas de bronze foram recuperadas e a coluna reconstruída tal como a vemos atualmente.  Courbet foi condenado a pagar os custos da reconstrução, mas morreu antes do vencimento da primeira parcela.

A coluna com iluminação noturna 

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domingo, 24 de dezembro de 2017

SARGENTO DAS FORÇAS ESPECIAIS SE TORNA A PRIMEIRA MULHER BRITÂNICA A MATAR TERRORISTAS EM COMBATE

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Uma sargento feminina das forças especiais tornou-se a primeira soldado britânica a matar terroristas durante uma operação militar.

Uma sargento feminina das forças especiais tornou-se a primeira soldado britânica a matar terroristas durante uma operação militar. A mulher, que está servindo com o Regimento Especial de Reconhecimento (Special Reconnaissance Regiment - SRR), neutralizou pelo menos três alvos com sua submetralhadora.

Ela fazia parte de uma equipe que havia conseguido entrar em contato com uma informante do Estado islâmico (ISIS), que afirmou ter sido forçada a se casar com um proeminente comandante do ISIS.  A informante se ofereceu para fornecer informações sobre o grupo em troca de ser ajudada a escapar com seu filho. A equipe dos soldados das forças especiais britânicas incluía alguns soldados do Serviço Aéreo Especial (Special Air Service – SAS), um oficial do MI6 e membros da SRR. Eles se encontraram com o informante perto de uma pequena cidade na fronteira entre a Síria e o Iraque. A equipe se retirou para o ponto de encontro após a reunião - mas foi emboscada quando passava por uma área construída, da qual os terroristas do ISIS haviam fugido recentemente.

A sargento abriu fogo contra um grupo de terroristas do ISIS quando ela e seus camaradas foram emboscados na fronteira da Síria com o Iraque

O grupo desembarcou de seu veículo e respondeu ao fogo com fuzis automáticos e lançadores de granadas. A heroica soldado conseguiu matar pelo menos três terroristas com sua metralhadora, enquanto vários terroristas tentavam atingir o veículo de onde a sargento estava protegendo seus colegas.

A sargento feminina do SRR estava armada com uma submetralhadora Heckler & Koch MP5K e matou vários terroristas a tiros. "Toda vez que surgia um terrorista, ela os atingia, informando aos companheiros o que estava acontecendo na retaguarda", disse uma fonte ao jornal The Sun.

Militar feminina pertencente ao SRR, a única unidade de forças especiais britânica a possuir mulheres em seu efetivo


Quando a equipe voltou para a base, seus colegas a estavam, mas ela só queria minimizar o evento e simplesmente disse que estava fazendo seu trabalho.

O incidente ocorreu em setembro, mas somente foi revelado agora, no final de dezembro.
Atualmente, o SRR é a única unidade de forças especiais que permite que mulheres em suas fileiras. O regimento atuou no Afeganistão, no Iraque e na Irlanda do Norte.

Fonte: The Sun

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

FIM DE UM MISTÉRIO DE MAIS DE UM SÉCULO - LOCALIZADO SUBMARINO AUSTRALIANO AFUNDADO NA 1ª GUERRA MUNDIAL

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Submarino da 1ª Guerra Mundial foi encontrado 103 anos depois. Ele era o maior mistério naval australiano

Após longos 103 anos de dúvidas, o mais antigo mistério naval da história australiana, foi resolvido com a descoberta de destroços do seu primeiro submarino, mais de um século depois do seu desaparecimento ao largo da costa da Papua Nova Guiné, segundo nota do governo australiano. O HMAS AE1, era o primeiro de dois submarinos da “classe E”, construídos para a Real Marinha Australiana e desapareceu em 14 de novembro de 1914, com 35 tripulantes a bordo de uma tripulação mista entre australianos, britânicos e neozelandeses.

O HMAS AE1 ao largo de Rabaul, antes de afundar em 1914

Os destroços, estão a cerca de 300 metros de profundidade na zona do desaparecimento, e foram encontrados pela 13ª expedição lançada para encontrá-lo, com a ajuda do Fugro Equator, um navio que também foi utilizado pela Austrália nas buscas infrutíferas pelo Boeing 777 da Malaysia Airlines, desaparecido em 08 de março de 2014, com 239 pessoas a bordo, após ter descolado de Kuala Lumpur rumo a Pequim. 

É com grande alívio e satisfação que recebemos esta notícia, pois "ao fim de 103 anos, o mais antigo mistério naval da Austrália foi resolvido", disse a ministra da Defesa australiana, Marise Payne, em declarações aos jornalistas. "Trata-se de uma das descobertas mais significativas da história marítima da Austrália. A perda do AE1 em 1914 foi uma tragédia para a nossa nação", realçou, indicando que a espera pela descoberta dos destroços, permita compreender as causas do acidente. 

Imagens do submarino HMAS AE1 localizado no fundo do mar

O submarino foi comissionado em fevereiro de 1914 em Portsmouth, no sul da Grã-Bretanha, e chegou a Sydney em maio do mesmo ano. Marise Payne informou ainda que o governo já fez contato com as autoridades de Papua-Nova Guiné para garantir a conservação do local e assim poder organizar cerimônias em memória dos desaparecidos. 

A perda do AE1 foi a primeira de um submersível aliado durante a 1ª Guerra Mundial e o seu desaparecimento figurava como o mistério naval mais antigo da história Australiana.

Fonte: The Sun
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – GENERAL IWANE MATSUI

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* 27/7/1878 - Nagoya, Japão

+ 23/12/1948 - Tóquio, Japão


O General Iwane Matsui comandou as forças expedicionárias enviadas para a China durante a Guerra Sino-Japonesa. Foi executado por sentença do Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente no pós-guerra por seu papel no Massacre de Nanquim.


Iwane Matsui nasceu na província de Aichi. Participou na Guerra Russo-Japonesa e se formou na Academia Militar em 1906. Foi comandante do 29º Regimento de 1919 a 1921. Em seguida foi designado para a Força Expedicionária de Vladivostok, onde permaneceu até 1922. Entre 1922 e 1924 foi chefe da Agência de Serviços Especiais de Harbin, na Manchúria e, posteriormente, assumiu o comando do 35º Regimento, posto que ocupou até 1925.

Apís uma breve passagem pelo Departamento de Pessoal do exército, em 1929 recebeu o comando da 11ª Divisão, na qual permaneceu até 1931. Após isso foi incluído na delegação japonesa, em Genebra, na Conferência Mundial do Desarmamento, um esforço por parte da Liga das Nações para promover o desarmamento mundial.

Em 1933, Matsui ascendeu ao generalato e foi membro do Conselho Supremo de Guerra até 1935, quando foi nomeado Comandante-em-chefe do Exército do Distrito de Formosa.

Matsui reformou-se em 1935, mas, em 1937, retornou de sua aposentadoria para comandar a Força Expedicionária de Xangai, que seguiu para tomar a cidade durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa. Este comando foi indicado pessoalmente pelo imperador japonês Hirohito. Ao assumur o comando, de acordo com Fumimaro Konoe, Matsui disse que a única forma de subjugar Chiang Kai-shek era conquistar Nanquim.

Em 23 de agosto, o general Matsui e sua força chegaram ao campo de batalha de Xangai, onde ele recebeu o 10º Exército para o reforço. Em 7 de novembro, Matsui assumiu o comando de todas as forças japonesas na área de Xangai, que foi chamado Exército Expedicionário da China Central. Depois de vencer a batalha de Xangai, Matsui pediu permissão para avançar contra Nanking. Em 1° de dezembro recebeu uma resposta positiva e, embora o comando da Força Expedicionária fosse passado para o príncipe Asaka Yasuhiko, Matsui continuou a ser o comandante-em-chefe na China Central. Ao compartilhar o comando da Força Expedicionária com um parente do Imperador, surgiriam dúvidas sobre Matsui ter a total responsabilidade pelo Massacre de Nanquim que se produziu quando da tomada da cidade.

O General Iwane Matsui comando um desfile em Nanquim. Sua omissão perante o massacre ocorrido na cidade resultaria em sua condenação e execução


No dia 10 de dezembro começou a batalha de Nanquim, que terminou três dias depois. O assassinato e estupro de civis chineses começou imediatamente, mas foi temporariamente interrompido no dia 17, quando o general e príncipe Asaka Yasuhiko marchou para Nanking.

Matsui não estava presente durante o massacre em Nanquim, visto que adoecera, e anotou em seu diário que o estupro e a pilhagem prejudicacam a reputação do Exército Imperial japonês, o que revelou o seu conhecimento do massacre em desenvolvimento. Além disso, em um discurso durante o funeral de um número de policiais mortos em ação, em 7 de fevereiro de 1938, mencionou que "alguns atos abomináveis que ocorreram nos últimos cinquenta dias não serão repetidos".

Tanto o General Matsui como o Príncipe Asaka Yasuhiko foram chamados de volta, em 1938.  Matsui reformou-se definitivamente e fixou-se em Atami, na província de Shizuoka, onde, junto com vários membros de sua comunidade, ajudou a construir uma estátua de Kannon, a deusa da Ásia representa a misericórdia. Em 29 de abril de 1940 foi condecorado por sua participação na guerra.


Julgamento 

Após a Rendição do Japão na 2ª Guerra Mundial, Matsui foi julgado pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, pela sua omissão durante o massacre de Nanquim. Matsui expressou sua vergonha perante o massacre, mas indiretamente culpou o príncipe Asaka Yasuhiko e Tenente-General Yanagawa Heisuke, comandante do 10º Exército, pelos assassinatos, por não coibirem os homens sob seu comando direto. Matsui afirmou que alguns oficiais riram quando manifestou indignação pelo ocorrido, e que, por encontrar-se enfermo, não poderia intervir.

Em 1948, o Tribunal considerou que Matsui não estava o enfermo suficientemente para não ter tentado impedir a matança, e que ele tinha ciência do que aconteceu em Nanquim. O Tribunal considerou-o culpado de crimes de guerra e ele foi enforcado em dezembro, na Prisão de Sugamo, na mesma cerimônia em que foi enforcado o ex-primeiro-ministro Hideki Tojo.

Seu nome foi incluído no Livro das Almas do Santuário Yasukuni, que é tão venerado indiretamente, o que provocou protestos em todo o mundo, especialmente na China.

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - MEMORIAL NACIONAL DA GUERRA DA ARGÉLIA E DA LUTA NO MARROCOS E NA TUNÍSIA

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Quase aos pés da icônica Torre Eiffel está instalado outro monumento com referências à História Militar francesa, homenageando os mortos durante as guerras de descolonização no norte da África.

O Memorial Nacional da Guerra da Argélia e da Luta no Marrocos e na Tunísia é um monumento de guerra erguido na Quai Branly, no 7º Distrito de Paris, para rememorar os conflitos de independência que ocorreram na África do Norte francófona entre 1952 e 1962, nos departamentos franceses da Argélia e departamentos franceses do Saara, retrospectivamente chamados de guerra da Argélia (1954-1962) e aqueles situados no protetorado francês deo Marrocos e no protetorado francês da Tunísia, denominada "lutas da Tunísia e do Marrocos" (1952-1956 e, em seguida, 1961 para a crise de Bizerte).

Soldados franceses na Argélia

O monumento homenageia a memória dos 23 mil soldados mortos pela França - franceses e soldados coloniais Harkis -, bem como vítimas civis. Foi inaugurado em 5 de dezembro de 2002 pelo Presidente Jacques Chirac, na presença de Michèle Alliot-Marie, Ministro da Defesa, e Hamlaoui Mekachera, Secretário de Estado para Assuntos dos Veteranos. Em 2003, devido à inauguração deste monumento, a data de 5 de dezembro foi escolhida para instituir o "dia nacional de homenagem aos mortos pela França durante a guerra da Argélia e as lutas no Marrocos e na Tunísia”.


Descrição

O memorial foi erigido por Gérard Collin-Thiébaut e consiste em três monitores eletrônicos verticais configurados em três colunas de 5,85 metros de altura, exibindo, em cada uma delas, as cores da bandeira francesa e informações sobre as pessoas e eventos rememorados:
- Na primeira coluna, percorrem continuamente os nomes e sobrenomes dos 23 mil soldados que morreram pela França no norte da África.
- Na segunda coluna, passam mensagens que recordam o período da guerra na Argélia e a memória de todos os que desapareceram após o cessar-fogo. Em 26 de março de 2010, o governo francês decidiu inscrever nessa coluna os nomes das vítimas civis da manifestação da rue d'Isly, em Argel, ocorridas em 26 de março de 1962.
- Na terceira coluna, através do uso de um terminal interativo localizado no pé do monumento, os visitantes podem ver o nome de um soldado específico, pesquisando entre a lista de nomes na lista.

Aspecto das colunas do memorial. Pode-se ver a  base da Torre Eiffel no canto esquerdo da imagem.

No chão está gravado: "Em memória dos combatentes que morreram pela França durante a guerra da Argélia e a luta no Marrocos e na Tunísia, e a de todos os membros das forças auxiliares, mortos após o cessar-fogo na Argélia, muitos dos quais não foram identificados.

Inscrições existentes no piso do memorial

Placa indicativa

Há também uma placa que diz: "A Nação associa as pessoas desaparecidas e as populações civis vítimas de massacres ou extorsões cometidas durante a guerra da Argélia e após 19 de março de 1962, em violação dos acordos de Evian, bem como as vítimas civis dos combates no Marrocos e na Tunísia, ao tributo pago aos combatentes mortos pela França no norte da África".

O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar diante do memorial



Referências
- Decreto nº 2003-925, de 26 set. 2003 – Institui o dia 5 de dezembro como "dia nacional de homenagem aos mortos pela França durante a guerra da Argélia e as lutas no Marrocos e na Tunísia”.

- MERCHET, Jean-Dominique. Guerre d'Algérie: un jour qui ne fait pas date. Libération, 18 set. 2003.