"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quinta-feira, 24 de maio de 2018

O ÚLTIMO SUSPIRO DO IMPÉRIO



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Para os britânicos, a crise do canal de Suez não significou apenas a perda de um importante ponto estratégico no Oriente Médio; representou uma humilhante derrota e o fim de sua hegemonia, em declínio desde a 2ª Guerra Mundial.

Por Dominic Sandbrook

Às cinco horas de uma manhã de outono, grupos de aeronaves britânicas sobrevoavam a costa do Egito.  Depois que os caças da Marinha abriram caminho, tropas de paraquedistas saltaram, despencando 300 metros até a cidade de Port Said.  Em poucas horas, consolidavam a invasão do local.

No dia seguinte, começava a segunda fase da operação.  Enormes nuvens de fumaça negra subiam do porto egípcio, à medida que helicópteros britânicos rumavam para a praça central, onde uma estátua de Ferdinand de Lesseps, o arquiteto do Canal de Suez, permanecia intacta. À noite, a resistência local já havia sido esmagada e a estrada sul em direção ao canal liberada.

Os soldados agora se encaminhavam para o objetivo principal embarcados em blindados, bebendo uísque para se aquecerem na noite fria.  De repente, a 32 km da costa, alguém acenou.  Para completa surpresa da tropa, o comandante avisou que não poderiam mais prosseguir – os americanos impediam o avanço.

 Helicópteros britânicos a caminho de Port Said

Zona ocupada

As origens da crise de Suez, talvez a maior humilhação britânica nos tempos modernos, remontam à história do relacionamento anglo-egípcio.  O Egito ficou sob o domínio da Grã-Bretanha desde o fim do século XIX e, até o começo dos anos 1950, o país europeu mantinha guarnições na Zona do Canal de Suez, uma estreita faixa de pistas de decolagem e instalações ao lado da grande hidrovia artificial construída entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.

Mas, em 1952, um golpe de estado derrubou o rei Farouk e o substituiu por um governo militar, chefiado pelo carismático coronel Gamal Abdel Nasser, que havia decidido se tornar a grande expressão do nacionalismo na região.  A ruptura com a Grã-Bretanha era, portanto, inevitável, uma vez que a autoafirmação egípcia estava destinada a colidir com os interesses estratégicos britânicos.

Em 1955, Nasser se recusou a participar do pacto anticomunista de Bagdá e fechou um acordo com a comunista Tchecoslováquia.  Com a Guerra Fria no auge, Grã-Bretanha e EUA decidiram que o líder egípcio era uma ameaça e, em julho de 1956, os dois países desistiriam de financiar o projeto de desenvolvimento da represa de Assuã, no rio Nilo.



Apenas uma semana depois, Nasser se vingou. No aniversário do golpe que o levou ao poder, ele fez um discurso diante de uma enorme multidão em Alexandria e anunciou a imediata nacionalização do Canal de Suez.  Seus proprietários, os acionistas franceses e britânicos, seriam compensados, mas o símbolo supremo do colonialismo europeu, a hidrovia crucial que levava petróleo do Oriente Médio ao Ocidente, ficaria em mãos egípcias.

O anúncio chocou o mundo, afetando Londres de forma mais aguda.  A Grã-Bretanha era a força dominante no Oriente Médio havia muito tempo.  Agora, ela era desafiada, e muita gente – no governo, na imprensa e na sociedade em geral – insistia para que o líder egípcio fosse impedido.

Anarquia e caos

A decisão cabia ao primeiro-ministro inglês Anthony Eden, um conservador que havia sido lugar-tenente de Winston Churchill durante a 2ª Guerra Mundial e que esperara durante anos a chance de sucedê-lo.  Eden havia, finalmente, assumido o governo em 1955 e vencido uma eleição geral, mas sua popularidade estava em queda.  Enfraquecido por uma série de doenças e cirurgias, tinha uma aparência frágil que contrastava com seu irascível vice, Rab Butler.

Muitos consideram que a maneira como Eden conduziu o caso foi equivocada.  Para começar, ele encarou o desafio de Nasser de forma pessoal.  Eu o quero destruído, está entendendo?”, perguntou a um de seus oficiais.  Não quero uma alternativa, nem quero saber se o Egito está em meio à anarquia e ao caos.”

 O primeiro-ministro britânico Anthony Eden falando à BBC

Convencido que aquela era a oportunidade de reforçar a posição mundial da Grã-Bretanha, em declínio desde a guerra, Eden ordenou a mobilização das forças armadas quando as negociações para resolver a disputa ainda não tinham acabado.  Mas em Washington, o governo de Dwight Eisenhower não estava propenso a embarcar na empreitada de seus antigos aliados – o presidente norte-americano iria tentar a reeleição em novembro e temia aborrecer seus eleitores.  Sem o apoio dos EUA, Eden foi bater em outra porta.

Em 22 de outubro, Eden convidou seu ministro das Relações Exteriores, Selwyn Lloyd, para um encontro secreto em Paris com seus colegas da França e de Israel. Lá, fecharam um acordo extraordinário: Israel invadiria o Egito e, logo em seguida, Grã-Bretanha e França dariam um ultimato para que os dois lados batessem em retirada e aceitassem a intervenção na Zona do Canal.  Quando Nasser recuasse – o que eles sabiam que aconteceria -, os dois aliados europeus atacariam. Parecia infalível, embora fosse eticamente questionável.

A operação pode ter entrado para a história como um fracasso por conta de seus resultados, mas do ponto de vista militar foi um triunfo.  O ataque israelense ocorreu exatamente como planejado: Grã-Bretanha e França deram o prometido ultimato e, em 5 de novembro, começou a invasão aliada do Egito.  Então, o que deu errado?  A resposta, bastante simples, é que os norte-americanos intervieram.

 O motivo da discórdia: Canal de Suez

A poucos dias da eleição presidencial, Eisenhower ficou furioso ao saber que Eden o enganara.  Mas a oportunidade para uma represália não tardou a surgir, graças ao fator econômico.  Com a libra esterlina sob forte pressão no mercado de câmbio e o bloqueio do Canal de Suez interrompendo o acesso ao petróleo do Oriente Médio, a situação da Grã-Bretanha era desesperadora.  Quando representantes do ministério da Fazenda britânico procuraram ajuda financeira em Washington, receberam uma resposta gelada.

Encarando a humilhação

E assim, o fim logo veio.  Eden teve de se submeter a Eisenhower e fazer um discurso humilhante na Câmara dos Comuns: “Seu rosto era cinza, com exceção das bordas negras que cercavam as brasas apagadas de seus olhos.  A personalidade parecia completamente ausente”, registrou um observador.  Duas semanas depois, exausto e alquebrado, o primeiro-ministro foi se recuperar na Jamaica. Ao voltar, sua saúde continuava em frangalhos e, assim, no dia 9 de janeiro de 1957, Eden renunciou ao cargo com a carreira aparentemente destruída pelo maior fiasco diplomático da história britânica.

A humilhação pessoal de Eden era comparável à vergonha de seus generai e também à de seus colegas franceses e israelenses, que gradualmente retiraram suas tropas e deram espaço às forças de paz das Nações Unidas.  Enquanto isso, Suez permanecia em mãos egípcias e Nasser saiu como o grande vitorioso.  Poucos anos depois de chegar ao poder, ele assegurava sua reputação como o paladino que ousara puxar o tapete do Império Britânico.

 Posição britânica em Port Said: o Império desmorona

Qual foi o impacto da Crise de Suez na Grã-Bretanha?  A opinião pública estava dividida: manifestantes lotaram a Trafalgar Square para protestar contra a invasão, mas boa parte da imprensa apoiou Eden.  O historiador Robert Rhodes James registrou que jovens e idosos apoiavam fervorosamente o governo e “desprezavam os antipatrióticos socialistas” que se opunham à guerra.  De fato, os números mostram que Eden era mais popular após a derrocada do que antes, enfraquecendo o mito de que ele foi destroçado pela opinião pública.

Também é mito que Suez tenha causado o declínio do Império.  A verdade é que o poder bretão estava minguando de toda forma, graças à dispendiosa participação do país nas duas guerras mundiais.  A crise no Oriente simplesmente demonstrou isso, de forma incontestável, para o mundo inteiro.

Para piorar, quaisquer pretensões de superioridade moral foram demolidas pelas revelações de que Eden conspiravam com os franceses e israelenses para atacar o Egito.  Pierson Dixon, representante britânico na ONU, raciocinou que “com nossa ação, nos rebaixamos de uma potência de primeira para uma de terceira classe.  Revelamos nossa fraqueza ao pararmos e jogamos fora a posição moral da qual nossos status mundial largamente dependia.

Existe pouca dúvida de que o episódio deixou marcas profundas na nação.  O escritor Peter Vansittart não estava sozinho quando relembrou ter “sentido uma mudança nas ruas, bares e lares depois de Suez: uma redução das expectativas, a sensação de que os tempos bons haviam acabado.”  Acho que o fracasso no Egito teve um efeito arrasador sobre o moral do governo britânico.  O fedor da derrota era uma coisa assombrosa”, afirmou um ministro do Partido Conservador.  Mais de uma centena de parlamentares assinou uma moção parlamentar acusando os norte-americanos de “pôr em risco de forma muito grave a Aliança Atlântica”. E muitas pessoas comuns destilavam sua amargura contra o velho aliado.  “Não atendemos norte-americanos aqui”, dizia uma placa na entrada de uma revenda de automóveis em Hertfordshire.

O fim de uma era

Mais de cinco décadas depois, Suez ainda é um divisor de águas histórico.  Depois de 1956, a Grã-Bretanha nunca mais pôde usar sua força como antigamente.  E ninguém duvidava de que o verdadeiro poder estava em Washington, não em Londres.  Mas o que se costuma esquecer é que a crise no Egito também foi o início de uma nova era de riqueza e ambição.  Sem o fardo da grandeza imperial, os britânicos estavam livres para se divertir, esbanjando com carros, aparelhos de TV, máquinas de lavar e toda a parafernália da sociedade de consumo.

Três anos depois, o fisco no Egito havia sido esquecido em grande parte e os Conservadores, liderados por Harold Macmillan – chanceler que assumiu o governo após a renúncia de Eden - , rumava à reeleição.  Depois veio o escândalo Profumo, os Beatles e todo o florescimento cultural dos anos 1960.  Suez pode ter sido o último suspiro do esplendor imperial britânico, mas foi o tiro de largada para uma nova aventura cultural.

Fonte: Guerras e conflitos do século XX, BBC

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segunda-feira, 21 de maio de 2018

EXPEDIÇÃO RECUPERA CANHÃO NAVAL NO ESTREITO DE KERCHT

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 Arma da Segunda Guerra estava em navio afundado na costa da Crimeia. Esta e outras descobertas serão restauradas e expostas em parque local.

Por Pável Rítsar


Um canhão naval antiaéreo de 76 mm, que estava a bordo da canhoneira soviética BK-73 afundada durante a Segunda Guerra Mundial, foi recuperado do estreito de Kertch, que conecta o mar Negro ao Azov. A operação foi conduzida por membros de um grupo de busca do Ministério da Defesa da Rússia.

As buscas por navios afundados durante a Segunda Guerra no mar Negro e no estreito de Kertch tiveram início no último dia 19 de julho. No decorrer dos trabalhos, a expedição encontrou um canhão naval, fragmentos do revestimento e o suporte ao qual a arma estava anexada”, disse o chefe da missão, Andrêi Taranov. “O canhão em si está em boas condições e será instalado no Patriot Park, em Kertch, após a restauração.

Canhoneiras soviéticas em ação no Mar de Azov

Segundo Aleksandr Iolkin, o supervisor científico principal da expedição e representante da associação pública “Batareia 29 Bis”, garante que a arma pertence à categoria das chamadas “Armas de Lenders” – isto equipamentos concebidos por Franz Lender, um projetista russo de armas de artilharia cuja contribuição para teoria e prática de disparos contra alvos aéreos foi de extrema importância. As armas do padrão 1914/15 [de Lenders] foram as primeiros equipamentos antiaéreos instalados nos navios da Marinha russa”, disse Iolkin, acrescentando que sua aplicação em combate continuou ao longo da Segunda Guerra Mundial.

Os pesquisadores rastrearam outras três canhoneiras que haviam afundado no estreito de Kertch. Em uma delas, um navio de apoio de fogo, a expedição foi capaz de recuperar um lançador de foguetes Katyusha e seus cartuchos.

O canhão de 76mm sendo retirado do mar

Os navios afundaram durante uma grande operação de desembarque em novembro de 1943. O BK-73, que tinha uma tripulação de 12 marinheiros e 42 fuzileiros navais, foi atingido por uma mina a 10 km da costa da Crimeia, que causou a morte de todos a bordo.

Os locais onde os navios afundaram estão oficialmente demarcados e listados pelas autoridades como túmulos militares protegidos pelo Estado.

Fonte: Gazeta Russa


sexta-feira, 18 de maio de 2018

HISTORIADORA MARY DEL PRIORE NO IGHMB

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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CAPITÃO HÉCTOR BONZO

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Bonzo era o capitão do cruzador ARA General Belgrano, afundado pelo submarino nuclear britânico HMS Conqueror, em 1982


* 11/8/1932 - General Rodríguez, Argentina

+ 22/4/2009 - Buenos Aires, Argentina


“Toda vez que ouço falar das vítimas do Belgrano, adoeço. Eles são heróis e por isso devem ser lembrados”, disse mil vezes o capitão aposentado Héctor Elías Bonzo, comandante do cruzador General Belgrano, que faleceu em 23 de abril de 2009, aos 76 anos, vítima de um ataque cardíaco enquanto dirigia seu carro.

Com a mesma ênfase que ele colocou para resgatar do esquecimento e colocar em seu lugar na história os 323 mortos no naufrágio do navio durante a Guerra das Malvinas, ele reiterou a seus parentes mais próximos nos últimos anos que não queria funeral público e que esperava que suas cinzas fossem espalhadas no mar.

O capitão Bonzo se aposentou da Marinha poucos meses após o fim da guerra com a Grã-Bretanha, Bonzo dedicou o resto de sua vida a manter o espírito daqueles que sobreviveram ao ataque do submarino de propulsão nuclear britânico HMS Conqueror e lembrar-se dos “heróis” mortos de 2 de maio de 1982. A Guerra das Malvinas foi um ponto de inflexão na sua carreira, que começou em 1947 quando entrou para a Academia Naval.

Nascido em 11 de agosto de 1932 em General Rodriguez, ele serviu em diferentes navios da Marinha, como os cruzadores ARA Argentina e ARA 9 de Julio, fragata ARA Sarandi, fragata ARA Libertad e o quebra-gelos ARA San Martin.

Foi o responsável pela División Avisos y del Comando Local de Control Operativo, adido naval no Brasil, comandante da Escuadrilla de Apoyo y Sostén e secretário-geral adjunto. O governo brasileiro concedeu-lhe a Medalha Mérito Tamandaré. Héctor Bonzo assumiu o comando do ARA Belgrano em dezembro de 1981.

Pouco depois de sua aposentadoria da atividade militar, Bonzo ajudou a organizar a Asociación Amigos del Crucero General Belgrano, a partir da qual ele manteve contato constante com a tripulação que sobreviveu e as famílias dos falecidos.

O cruzador ARA General Belgrano afunda após ter sido torpedeado pelo submarino HMS Conqueror

Em homenagem aos tripulantes do navio, ele escreveu o livro 1093 Tripulantes e deixou pendente para editar La Historia del Crucero General Belgrano.

Em entrevistas dadas ao jornal La Nacion e a outros meios de comunicação, foi contundente quando se referia ao papel de Belgrano na guerra. “Eu não gosto quando se fala sobre o Belgrano como crime de guerra. Se eu tivesse avistado um navio britânico, não tenha dúvida de que eu teria atacado. Não éramos um alvo inofensivo. O Belgrano tinha 15 canhões de 152 mm e mísseis”.

Nos últimos anos de vida, Bonzo teve problemas de saúde. Assim, não pôde participar, em março de 2003, da expedição realizada pela National Geographic para tentar localizar o ARA General Belgrano no fundo do mar.

Fonte: La Nacion


EDITOR DO BLOG PARTICIPA DO III ENCONTRO DE HISTÓRIA MILITAR E FRONTEIRAS DA UNIVERSO

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O editor do Blog Carlos Daroz - História Militar participou do III Encontro do Laboratório de História Militar e Fronteiras da Universidade Salgado de Oliveira.

Na oportunidade, apresentou a comunicação "Trincheiras que falam: a memória da guerra de 1932 pelas páginas do jornal O Estado de S. Paulo".

A seguir, algumas fotos do evento:

Carlos Daroz apresentando sua pesquisa

Os participantes do III Encontro do laboratório


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sexta-feira, 11 de maio de 2018

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - ALBRECHT VON WALLENSTEIN

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Albrecht von Wallenstein ou von Waldstein (Albrecht Wenzel Eusebius von Waldstein)  foi um general imperial do tempo da Guerra dos Trinta Anos e duque da Friedland e Mecklemburgo, príncipe de Sagan. Lutou ao lado do imperador Fernando II e da Liga Católica contra a União Protestante.



* 24/9/1583 - Hermanitz an der Elbe, Boêmia

+ 25/2/1634 - Eger


Wallenstein destacou-se pela sua capacidade de financiar, levantar e suprir forças cada vez mais numerosas, alcançando a cifra de 100 mil homens. Derrotou a Dinamarca, na segunda fase do conflito e enfrentou, com algum sucesso, o rei da Suécia, Gustavo Adolfo. Entretanto, acabou se tornando credor do imperador e começou a agir com um grau de independência que gerou insegurança entre as forças católicas. Acabou por cair em desgraça, sendo destituído e assassinado por oficiais da confiança do imperador.


Participação na Guerra dos Trinta Anos

Quando a Morávia aderiu à rebelião protestante de Frederico V contra Fernando II, em 1619, era comandante da infantaria deste território, ocasião em que fugiu para Viena com as receitas do tesouro moraviano. Isso ocorreu em um momento importante para o imperador, porque as forças rebeldes, sob o comando de Matias Thurn, haviam marchado através da baixa Áustria e começado um cerco desorganizado e rapidamente fracassado a Viena.

Em setembro de 1625, quando da intervenção dinamarquesa, deslocou seu exército de 20.000 homens no norte da Boêmia e marchou para o oeste da Alemanha, adotando como quartéis de inverno os ricos bispados protestantes de Halberstadt e Magdeburgo.

Em 25 de abril de 1626, comandou o cerco a uma posição fortificada que estava sob o comando do tenente Aldringen. Em seguida, empurrou as tropas do comandante protestante Von Mansfeld através da ponte de Dessau, no rio Elba. Nesta ocasião, Wallenstein contava com pelo menos o dobro de homens dos quase 7.000 de seu adversário. Como resultado da derrota, Von Mansfeld teve perto de 3.000 soldados capturados, a maioria de infantaria, indo aquartelar-se em Brandenburgo. Na sequência, no mês de junho, Von Mansfeld seguiu em direção à Silésia com reforços, sendo firmada uma trégua entre os dois comandantes em outubro. Com isso, Wallenstein ocupou a linha do Elba e, aquando da campanha seguinte, em 1627, rapidamente destruiu o exército protestante.

Também neste período mandou alguns soldados como reforços ao conde Von Tilly, as quais atuaram na vitória da Liga Católica e Imperial contra as forças de Cristiano IV na Batalha de Lutter-am-Bamberg, ocorrida em 27 de agosto de 1626.

Albrecht von Wallenstein no comando de suas tropas durante a Guerra dos Trinta Anos


Tendo completado duas operações no leste, em maio de 1627 juntou suas forças as de Von Tilly na invasão dos ducados de Macklemburg e, em 14 de setembro, tendo as tropas imperiais invadido o Holstein dinamarquês, o último exército deste país foi esmagado na Batalha de Grossembrode.

Por causa dessas derrotas, Cristiano IV foi obrigado a se refugiar na ilhas do mar Báltico. Para destruir esta resistência, o imperador nomeou Wallenstein almirante do mar Báltico em janeiro de 1628, recebendo em março os ducados de Macklemburg, com os portos de Wilmar e Rostock, na tentativa de acabar com o apoio protestante a Cristiano IV nas ilhas do norte da Alemanha durante a primavera seguinte. Todavia, esta tarefa seria prejudicada pela falta de uma armada adequada.

Em 13 de maio, seu subordinado Von Arnim começa o cerco a Stalsund, na Pomerânia, com Wallenstein chegando em 6 de julho para comandar pessoalmente as operações. Entrementes, em 23 de junho, Stralsund firmou uma aliança de 30 anos com o rei Gustavo Adolfo da Suécia. A cooperação entre suecos e dinamarqueses forçou Wallenstein a levantar o cerco em 24 de julho, permitindo assim que a Suécia tivesse seu primeiro ponto de apoio na Alemanha.

Porém, em 2 de setembro, Wallenstein derrotou completamente Cristiano IV na Batalha de Wolgast, forçando o soberano dinamarquês a fugir de barco de volta para a Dinamarca. Esse conjunto de operações realmente destruiu as possibilidade dinamarquesas na guerra, embora a Paz de Lubeck tenha sido adiada até 1629.

Após o Édito de Restituição, na reunião eleitoral de Regensburg, os eleitores católicos forçaram sua demissão pelo imperador e também a cassação de seu título de generalíssimo, além de se recusarem a elegerem o filho do imperador como rei dos romanos, reduziram o tamanho do exército imperial de 150.000 homens no papel para 39.000, sendo o exército da Liga Católica reduzido para 20.000, além de alterarem sua estrutura de comando e os métodos de financiamento. Ademais, o conde de Tilly foi nomeado comandante dos exércitos Imperial e da Liga Católica.

Pouco antes da demissão de Wallenstein, porém, começava a intervenção sueca, em 1630. Na sequência desta, o conde de Tilly foi derrotado na Primeira Batalha de Breitenfeld. Graças a vitória, os suecos invadiram a Francônia, a Turíngia, os vales do Main e do Reno. Em novembro de 1631, os suecos tomaram Frankfurt e, em dezembro, invadiram o Baixo palatinado e cruzaram o Reno e armaram seu acampamento de inverno no Eleitorado da Mogúncia. Em 1632, os suecos tomaram Donauwörth, atravessaram o rio Lech sob fogo das tropas do conde von Tilly, que foi morto nesta ocasião e, finalmente, capturaram Munique, forçando a fuga do eleitor Maximiliano I.

Frente a todos esses desastres, o imperador chamou novamente Wallenstein e, em 13 de abril de 1632, o nomeou mais uma vez generalíssimo. Em meados de maio, ele recapturou Praga e, no fim deste mesmo mês, o exército da Saxônia foi expulso da Boêmia. Em 9 de junho, os suecos comandados pelo rei Gustavo Adolfo chegaram a Nuremberg e começaram a construir uma rede de baluartes e redutos em torno da cidade. Em julho, o exército de Wallenstein começou o cerco das fortificações sucas, tentando submeter os inimigos pela fome. Nos dois meses seguintes, a capacidade da região de prover as tropas esgotou-se, enquanto Wallenstein conseguia cortar as rotas de abastecimento dos acampamentos suecos e chegavam reforços católicos.


Batalha de Lützen

Tentando escapar da armadilha, o exército sueco buscou conquistar a posição fortificada de Alte Veste, mas fracassou. Neste ínterim, as epidemias haviam começado no acampamento sueco. Porém, como a falta de abastecimento também atingia as forças católicas, von Waldstein tentou dispersar suas forças, capturando Leipzig em 1 de novembro e observando ao comandante de cavalaria Pappenheim que: "Se o eleitor [da Saxônia] está perdido, o rei [da Suécia] também estará perdido", considerando o exército do rei Gustavo Adolfo como "Totalmente arruinado." 

Estátua de Wallenstein em Praga

De uma maneira incompreensível, porém, entendeu que a época em que se faziam campanhas militares havia acabado e, em 14 de novembro, começou a dissolver as tropas católicas.

O rei Gustavo Adolfo, todavia, atacou von Wallestein, dando vez à Batalha de Lützen. Neste confronto, o exército Imperial e da Liga Católica abandonou o campo de batalha, após a morte tanto de seu comandante Pappenheim quanto do próprio rei sueco. A decisão de von Wallenstein em abandonar o campo de batalha, contra conselhos dos subalternos e após ter pedido toda a sua artilharia, fez com que na época ela fosse considerada uma vitória protestante. Mas, recentemente, historiadores tem considerado a batalha como inconclusiva, sobretudo porque após ela o exército Imperial e da Liga Católica permanecia maior.


Queda em desgraça, demissão e assassinato

Em outubro de 1633, Wallenstein atacou o quartel general do conde Matias Thurn, chefe militar da recém criada Liga Heilbronn, em Steinau, conseguindo uma importante vitória e capturando o comandante adversário, que entregou todas as cidades do norte da Silésia em troca de ser libertado. Após, avançou em direção a Lusácia, pela linha do rio Oder, atacando Brandenburgo e a Saxônia. Começaram, então, dissenções entre Brandenburgo e a Suécia, em torno da posse da Pomerânia.

Porém, apesar de suas vitória, no final de 1633 todos desconfiavam de Wallenstein, principalmente o imperador. Em 12 de janeiro de 1634 fez chegar emissários ao acampamento do generalíssimo, em Pilsen, ordenando que deslocasse as tropas católicas para a Baviera. A reação de Wallenstein foi ordenar que todos os seus comandantes lhe jurassem fidelidade. Dois deles, Picolomini e Gallas, fugiram e emitiram um comunicado dizendo que o comando de Wallenstein estava terminando, o que o imperador confirmou em 18 de fevereiro, começando então as deserções em grande escala no exército.

Em 25 de fevereiro, afinal, Wallenstein e seus colaboradores mais fiéis foram todos assassinados por um grupo comandado pelos mercenários estrangeiros Butler, Gordon e Lesley, na localidade de Eger.

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segunda-feira, 7 de maio de 2018

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DE SEMINÁRIO SOBRE A GRANDE GUERRA EM PORTUGAL

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O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar e autor do livro O Brasil na Primeira Guerra Mundial - A longa travessia, participou de um seminário organizado pelo Instituto Universitário Militar de Portugal (IUM): ‘A frente Oriental e o Atlântico’, na cidade de Lisboa.

Realizada com base em fontes documentais primárias e na historiografia mais atualizada sobre a 1ª Guerra Mundial, a pesquisa para a obra de Carlos Daróz é uma referência no Brasil e no exterior. Para o livro foram consultados documentos em arquivos no Brasil, Reino Unido, Alemanha, França e Argentina. O estudo do professor já foi apresentado e divulgado em seminários no Brasil, em Cabo Verde e agora em Portugal. 

Mesa de painelistas durante o seminário

Em 1917 diversos navios mercantes brasileiros foram afundados por submarinos alemães, levando o Brasil a entrar na guerra ao lado das potências Aliadas. Em 1918 o Brasil enviou uma Missão Médica Militar para montar um hospital militar em Paris, que atendeu feridos de guerra e a população civil, atingida pela pandemia de gripe espanhola. Também enviou para a Itália, EUA e Inglaterra grupos de aviadores navais para fazerem cursos e combaterem ao final do treinamento. Somente os que foram para a Inglaterra chegaram a fazer voos de patrulha sobre o Canal da Mancha. 

O país enviou também uma divisão naval composta por 8 navios para patrulhar a Costa Ocidental da África e uma equipe de 24 oficiais do Exército para estagiar no exército francês. Lá entraram em combate comandando tropas francesas. Ao todo, cerca de 150 brasileiros morreram na guerra. A maioria vitimadas pela gripe espanhola.

O Editor do Blog Carlos Daróz-História Militar ladeado pelo comandante Augusto Salgado e pelo coronel Leonel Martins, ambos professores do Instituto Universitário Militar

Durante o seminário, o editor do Blog ministrou a conferência de encerramento ‘O Brasil na Grande Guerra’, onde falou sobre a participação brasileira neste momento histórico da humanidade, o conflito mundial de 1914-1918.  Segundo o pesquisador, “nossa participação na 1ª Guerra Mundial é desconhecida de quase todos os brasileiros. Hoje existem menos de dez pesquisadores no país que estudam o tema e o estudo da história militar é essencial para fomentar novas pesquisas, capacitando pesquisadores que possam, com metodologia e suporte teórico adequados, lançar luzes sobre o pouco conhecido período e outros tão importantes em nossa história". 

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar recebendo uma placa das mãos do comandante do IUM, vice-almirante Bastos Ribeiro

O evento foi planejado e conduzido pela equipe de professores de História Militar do Instituto Universitário Militar de Portugal, estabelecimento de ensino de altos estudos militares daquela nação amiga, e contou com a participação de integrantes do Exército, Marinha, Força Aérea e Guarda Nacional Republicana de Portugal, além de acadêmicos e historiadores.

O Instituto Universitário Militar, localizado na aprazível rua dos Pedrouços.